Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Mas para que raio quero eu um blog?

Um blog sem pernas para andar, com uma dona sem vontade de escrever.

Um blog sem pernas para andar, com uma dona sem vontade de escrever.

Mas para que raio quero eu um blog?

29
Jun23

Sabores que fazem parte de mim

Carla

A sopa da minha mãe que é a melhor do mundo, os peixinhos da horta que acompanham sempre com arroz de tomate, os figos do quintal do Sr. Moreno, as sopas de pão com café ao pequeno-almoço, o arroz doce da Carolina, a pannacota da minha irmã, o pão quente com manteiga do Cató que curava todos os estados de alma, a sanduíche club do Fernado's, as bombocas com recheio de nata, o hambúrguer do Cocktail bar paragem obrigatória sempre depois de uma noitada, a carne de porco à alentejana e a torta de laranja da Margarida, o bacalhau espiritual da Teresa, as mariscadas sempre bem regadas no Mario Rui, os croissants de queijo da gelataria Cassata, os Bollycao’s do quiosque em frente da escola n°3, com o chocolate que se colava ao céu da boca, o bolo de chocolate da avózinha à sexta feira quando todas as crianças do bairro regressavam da escola, o pirão com peixe frito na casa da avó da João, as chamuças da mãe da Neca, o molotov da Licinia, o leitão do Pedro, as moelas da Cristina, os ovos à moda de Marrocos feitos pelo meu filho, a lasanha vegetariana da Madalena, as nêsperas do quintal da D. Anita, as favas apanhadas na horta da avó Aida que ela fazia com chouriço, numa panela de ferro no borralho, o arroz de míscaros da D. Micas, a sandes de fígado do Gato Preto sempre acompanhadas de um sumol de ananás, a pizza calzone de espinafres e cogumelos da Linda, o arroz de tomate com atum que o meu irmão tanto gostava, a caldeirada de peixe do Sr. Manuel, a bolacha maria barrada com manteiga, o pão com ovos mexidos, o  bolo que a minha mãe fazia todos os domingos, quando éramos pequenos, os sonhos de abóbora e o açúcar com canela lambidos dos dedos, a sapateira recheada como só o meu ex marido sabe fazer, as bolachinhas do meu pai, que acompanham o café sempre depois do almoço, o cornetto de chocolate, os tremoços no Largo da má lingua em Buarcos, a bola de berlim na praia, o caldo verde e o pão com chouriço na Merendeira Praia da Rocha, os ovos estrelados com pimenta e curcuma, os bolinhos de côco, a sopa da pedra no Peleiro, a picanha com mandioca frita no Caramba, o bolo do caco no Madeira Stuff e a poncha de maracujá, a roupa velha da minha mãe que o meu irmão carinhosamente chamava de "blerrk", a salada de pimentos da Dália, a cavala assada na brasa, as sardinhas na brasa do Quim João, as migas na Cova do Finfas e o queijo com doce de abóbora, a sandes de leitão na feira da Tocha, os pastéis e queijadas em Tentúgal, as tapas na Casa España, o meu caril de couve-flor com grão e espinafres, o mil-folhas da pastelaria Papão, a fruta descascada pelo meu pai, que sabe sempre melhor, como ele diz, as empadas da minha mãe, que ela faz sempre para aproveitar os restinhos de carne, o tomate cereja dos vasos na minha varanda, as framboesas e os morangos que apanho no quintal do Sr. Weier, as farturas na rolote da Roberta, a tarte de maçã da Elisabete que é sempre servida com uma bola de gelado de baunilha, os raviolli de espinafres e requeijão da Mina.

 

 

 

Podia continuar.

26
Jun23

Fala-me de um dia perfeito ...

Carla

 

Aquele grupo de amigas que o acaso juntou no Luxemburgo e o tempo conserva junto. Aquele grupo de amigas a quem a vida deu rumos diferentes e ainda assim teima em se reencontrar. Aquele grupo de amigas que tem gargalhadas soltas e histórias deliciosas para contar. Aquele grupo de amigas de quem se gosta, simplesmente por gostar.  Aquele grupo de amigas que tem gosto em demorar. Aquele grupo de amigas que sabe que a vida é feita de momentos e das pessoas com quem partilham esses momentos. Aquele grupo de amigas que sabe que a alegria é simples e impossível de fingir. 

Aquele grupo de amigas que não se encontra tantas vezes como gostaria, mas quando se encontra é como se estivesse estado juntas no dia anterior. Aquele grupo de amigas que fica em off para poder olhar e escutar quem está a seu lado.

Não sei se comemos e bebemos mais do que falámos, ou se falámos mais do que comemos e bebemos. Mas sei que temos a inteligência do saber rir e rir muito.

Não marcámos o próximo encontro, porque sabemos  que estamos aqui para todos os encontros que forem preciso. 

Meninas... é uma dádiva ter-vos na minha vida.

Obrigada!

24
Jun23

Queres vir passar o fim de semana a Liège?

Carla

Recebi hoje de manhã uma mensagem com a pergunta acima escrita.

Caramba ... esta pessoa adora passear, esta pessoa adora ir a Liège, esta pessoa adora comer, esta pessoa adora um churrasco, esta pessoa até gosta de banhos de sol à beira de uma piscina...

E depois vem um gajo que por sinal é a pessoa que mais me acalenta o coração, a minha pessoa, aquela pessoa que parí há 24 anos e que deu todo um sentido a uma vida, pessoa que já não vejo desde o início de Maio. Porra ....Que saudades de lhe apertar aqueles ossinhos e de lhe encher o rosto de baba ...meter-me num estado de entusiasmo violento.

Queres vir passar o fim de semana a Liège? Sim! Já ontem era tarde! (pensei)

Respondo: não posso 😭 ... fiquei de babá a gatos todo o fim de semana.

20230624_105320.jpg

 

 

23
Jun23

Notícias

Carla

Eu lamento imenso o desaparecimento do submarino de turismo aos destroços do titanic e a morte de todos os que nele viajavam. Mas a atenção mediática e os esforços mobilizados para esta situação, em comparação com o que se passou aqui há dias, com  os imigrantes que morreram no naufragio na Grécia ... é escandaloso!

22
Jun23

No meu rural

Carla

Não sei se sabem, mas se não sabem ficam a saber, amanhã é feriado.

O dia nacional do Luxemburgo celebra-se a 23 de junho, data em que comemoramos o aniversário do Duque.

O Duque não faz anos amanhã, já fez em Abril, mas a Duquesa Carlota, sua avô, que fazia anos a 23 de janeiro, decidiu que o melhor seria festejar o aniversário em junho, porque os dias eram maiores e as temperaturas mais agradáveis, e assim tem sido desde então. 

Mas a festa começa hoje dia 22. Manda a tradição que as pessoas vistam as cores do país e tragam o espírito festivo para a rua.

Desde o início da tarde que todos os caminhos vêm dar à vila, as pessoas reunem-se perto do palácio, para ver juntamente com o  o Duque e a familia o render da guarda e depois em cortejo dirigem-se à praça da câmara  para se juntarem aos deputados, parlamentares e etc ... etc... para assistirem ao desfile das colectividades, associações e a  marcha das tochas, que é imperdível.

Por volta das 23h somos presenteados ( cof cof), com uns vinte minutos de um espetacular fogo de artifício. Não interessa pra nada quem paga... que é brutal lá isso é!

Depois muitos regressam a casa, mas a festa continua noite dentro com bailaricos, concertos em cada esquina e típicas barraquinhas onde podemos provar as especialidades da terra. 

Ora, têm estado uns dias ensolarados, com o céu azul, sol radiante, noites espectaculares... nuvens nem vê-las. 

O que ninguém lembrava, nem ao diabo lembra é que isto podia levar uma volta e...chover! Sim santinhas da minha vida, do céu tem caído chuva e da grossa. Depois acalma, depois novo dilúvio. Ao meio-dia mais parecia meia noite,  tal foi o espectáculo de relampejada que mais parecia o dia do juízo final, estou a hiperbolizar um pouco para dar ênfase, entendem? Mas que foi assustador, lá isso foi! 

E prontes com chuva será deveras aborrecido, então não era chamar o senhor S.Pedro para um face a face e dar-lhe umas chapadonas no...focinho, perdão, nariz, fuças ventas ... 

 

21
Jun23

Uma questão de tempo ...

Carla

 

Há muito, muito tempo, era eu uma criança ... tinha uns oito, nove anos, os meus pais ofereceram-me aquele presente de aniversário... uma bicicleta! 

Podem imaginar a euforia desta miúda. Lembro-me de nem dormir, só de pensar que no dia seguinte ia estrear a minha bicicleta nova.

Os domingos eram divididos em: ir à missa de manhã, almoçar e ir para a rua brincar.

Num desses domingos, assim já ao final do dia, a regressar a casa, ganhei balanço numa descida, uma carrinha de caixa aberta a fazer marcha atrás não me viu, eu não consegui travar a tempo, e  esbardalhei-me contra a carrinha.

Seis pontos no queixo, um braço empanado, e a minha bicicleta directa para o lixo de toda encraquelhada que ficou.

Depois disso, nunca mais andei de bicicleta. Cada vez que subia numa, as pernas começavam a tremer, o medo subia por mim acima e eu empacava. 

E também nunca mais quis ter uma bicicleta na vida. Passei a ter uma grande aversão por tudo que tivesse duas rodas. 

Até à dois anos atrás, em que decidi que estava na altura de superar esta fobia.

E no dia em que fiz cinquenta anos ofereci-me uma bicicleta.

As pessoas desta casa, conscientes das minhas exímias capacidades como ciclista, quando souberem da minha nova aquisição, ligaram-me. A minha mais velha a perguntar se tinha comprado capacete e joelheiras. O meu mais novo para saber se tinha comprado as rodinhas. Até são miudos fixes ...

O meu pai liga-me a pedir para ter juízo e a lembrar-me desse episódio já com séculos, e ao fundo ouvia-se a voz da minha mãe que dizia, esta rapariga ... esta rapariga! 

A bicicleta não foi aprovada pela família!

Mas eu estava determinada e como me diz uma amiga minha: quando metes uma coisa na cabeça, é mais fácil arrancarem-te a cabeça! 

Sou assim e não tenho tempo para mudar.

No primeiro dia que saímos juntas, andámos mais tempo de mão dada. Não vale rir! Mas sim, empurrei mais do que pedalei ...Tinhamos de nos conhecer bem, certo? 

Mas ... como na vida é tudo uma questão de tempo, insistência e garra, a minha bicicleta e eu, fomos ultrapassando os medos, e hoje somos excelentes companheiras de passeatas! 

Se ainda tenho medo? Tenho! Ainda me tremem as pernas... 

Se sou uma excelente ciclista? Não! Mas ando devagar, consigo mesmo ser ultrapassada por malta que anda a correr. Volta e meia tropeço nos pedais, e já consegui cair numa subida porque me atrapalhei a meter as mudanças. Mas atenção! Não sou o "perigo das ciclovias" 

Dia após dia a confiança foi aumentando e em novembro do ano passado, quando me lançaram o desafio de conhecer a costa algarvia de bike, aceitei sem pensar duas vezes, e foi uma das experiências mais espectaculares da minha vida!

IMG_20221028_145509_513.jpg

Este ano mais aventuras nos esperam! Juntas, claro! 

 

 

20
Jun23

As minhas plantas dão-me com cada preocupação ...

Carla

 

20230620_100105.jpg

Antúrio para ser antúrio tem de ter aquele espeto amarelo. O tal do espeto, é que dá o nome à flor. 

Eu tenho um antúrio, que já esteve prestes a perecer, mas ressuscitou, aleluia, aleluia! e está carregadinho de flores. 

No meio de todas as flores com espeto, tenho um mutilado... e alto lá, antes que pensem ou digam, não fui eu que o cortei, ele nasceu assim ... 

Nem perdeu o espeto, porque já o procurei pelo vaso.

Alguém me explica porque raio tenho um antúrio incompleto?!

 

 

 

Pág. 1/3

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub